Referências
bibliográficas
|
KANTOR, Tadeusz. O Teatro da Morte. Textos organizados e apresentados por Denis
Bablet. – São Paulo: Perspectiva: Edições SESC SP, 2008. – (Estudos; 262 /
dirigida por J. Guinsburg).
|
Breve resumo
|
O
livro aborda o processo criativo de Kantor que se resume em quatro palavras:
a cena, o espaço, o objeto e a repetição. Apaixonado pela arte e embelezado
pelas manifestações da vida, Kantor criou o teatro experimental que leva a
construção cênica até o limite da tensão, ele utiliza o texto como uma pá que
cava até o ponto mais escuro e isolado da ilusão sem superficialidades e com
o auxílio da cenografia para a construção desse universo sombrio e casado com
a realidade com a apropriação total dos fenômenos e objetos mais expressivos e
comuns.
O
teatro experimental é a apreciação da preparação do processo que libera a cena
a partir de partituras pesadas, inusitadas e ilusórias.
|
Transcrições de
citações mais importantes
|
Entretanto
em meio a todas essas peripécias existia sempre aparentemente uma distância
natural e evidente entre o objeto, a realidade e a imagem, esse terreno
reservado ao próprio ato e ao cerimonial da criação. (parag.3; página 102)
A
gorda analfabeta grita, soletra, conta e passa, muito vapor muito calor, os
soldados marcham todo o tempo, notícias radiofônicas ininterruptas e
monótonas, a moça nua já está quase toda coberta de bandagens brancas, alguém
bate no interior das caixas, o velho ainda está parafusando as últimas
caixas, a privada de pooorcelana eeemmmite um riso suave, os carvoeiros quase
nus carregam seus sacos nas coas (...) (pág.120)
Agora,
o público é lançado contra a parede amontoado maltratado pela carta. A fita
de gravador transmite o monólogo do destinatário desconhecido da carta que
sem parar se torna cada vez mais monstruosa, diante da qual continuamente
passo a passo se cede até o aniquilamento total. (pág. 124)
O
ator não representa nenhum papel, não cria nenhuma personagem, nnnem a imita, ele permanece antes de tudo
ele mesmo, um ator carregado de toda essa fascinante bagagem de suas
predisposições e de suas destinações. (pág. 136)
O
ator-artista tem sido desarmado, domesticado. Sua capacidade de resistência,
tão importante para sssi mesmo como para o papel que ele tem na sociedade,
foi quebrada, o que leva a obedecer a todas as convenções e às leis que regem
o bem-estar na sociedade de produção e de consumo, a parder sua independência
que somente lhe permite, situando-o fora da comunidade, agir sobre ela. (pág.
137)
|
Comentário pessoal
|
O
texto fala do artista desprovido do compromisso plástico do teatro, que inova
no fazer criativo e o cultiva com a amplidão das possibilidades dos objetos
disponíveis ao redor.
Dentro
da sua formação de artes plásticas e cenografia, Kantor se apropria do processo
de construção de uma obra (expositiva ou encenada) como sendo ela a própria
obra, deixando visível todas as suas “amarrações” e “adequações” dentro de
uma estética visual voltada para o teatro com todas as suas tensões.
Para
Kantor, a obra de arte deve possuir uma intimidade clara com a realidade, ela
deve ser constituída de objetos cotidianos reinterpretados, reestruturados, é
como se ele desse uma nova finalidade para elementos comuns do dia a dia.
|
Utilização de
materialidades no processo criativo
|
Dentre
eles destaco: partituras tensas e ricas nos detalhes e sugestões de
acontecimentos como um relato tendo sua escrita jornalística. Quantos aos
elementos concretos, destaco fitas, paredes pretas, gosma vermelha e sebo, sons e caixas.
|
FICHAMENTO
Certamente que o momento político e social da época agiu
agressivamente em todos os processos criativos de Kantor, é bastante
perceptível a tensão descrita nas partituras, observada nos elementos cênicos e
paredes quase sempre escuras e vazias, nos atores-artistas com seus movimentos
cuidadosamente sentidos com cada pedaço do corpo nú ou vestido, e
principalmente nos sons sempre presentes como elemento fundamental inclusive na
sua quase ausência.
Kantor tanto no Teatro-Happening quanto no Teatro Independente,
focados nesse texto propõe ao ator a renúncia das convenções, a liberdade é
totalmente explorada dentro do que há de mais tenebroso na mente, nos sonhos,
nos medos... As escolhas nas encenações são induzidas pelos estranhamentos,
pelos absurdos, pelas “impossibilidades” concedidas pelas partituras.