Luigi Pareyson



Referências
bibliográficas

PAREYSON, Luigi. Estética – Teoria da Formatividade. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. – Petrópolis – RJ: Vozes, 1993

Breve resumo

O texto apresentado faz parte do terceiro e último momento da coleção que aborda a estética. Nas páginas analisadas, é possível caracterizar o livro como uma espécie de manual sobre como se dá o processo de criação com e sem os resultados planejados, porém sempre seguindo um mesmo procedimento de tentativas que por si só pode ser classificado como sendo um resultado de êxito por ter seu início a partir de uma necessidade desenvolvida através de insights e experiências vividas e estudadas que conduziram a um resultado artístico.
Em 20 subtemas, Pareyson organiza sua linha de pensamento tendo o “inventar” como palavra-chave que move todo o processo criativo que por vez “confunde” algumas análises filosóficas que exploram a teoria das tentativas do fazer artístico, este que por sua vez é um processo técnico e criativo ao mesmo tempo.

Transcrições de citações mais importantes


Formar, então, significa “fazer” e “saber fazer” ao mesmo tempo: fazer inventando ao mesmo tempo o modo em que no caso particular aquilo que se deve fazer se deixa fazer. Formar significa “conseguir fazer”, noutras palavras, fazer de tal modo que sem se apelar a regras técnicas predispostas ou pré-disponíveis se pode e deve afirmar que aquilo que se fez foi feito como deveria ser feito. (p.60)

E certamente este destino do homem, de não poder atuar a não ser procedendo por tentativas, é sinal de sua miséria e grandeza ao mesmo tempo: o homem não encontra sem procurar. (p.61)

Pois a formatividade, no próprio ato em que se especifica, e precisamente para poder se especificar, livremente se outorga a si mesmo a própria lei dizendo-se lei para si mesmo. Já se viu que a formatividade se torna arte quando, não tendo nada de espefico a formar, adota uma matéria, pois esta, uma vez formada, é forma e só forma. (p.66)

Na arte, o modo como se deve fazer a obra é apenas o único modo em que ela mesma, que tem que ser inventada e ao mesmo tempo feita, se deixa fazer. Nas outras operações ao menos uma coisa não tem que ser inventada, e é a ratificação das possibilidades inventadas por parte de certas leis. Na arte, quando se trata da obra, tudo tem que ser inventado e, sobretudo, aquilo que institui a sua regra como tal, i. é, a adequação da obra consigo mesma. (p.67)

Mas se é verdade que a execução é uma aventura, nem por isso se pode dizer que se baste a si mesma, não tenha guia nem critério, confiada à própria peripécia e condenada a se alimentar do acaso. (p.71)

A obra se faz por si e no entanto é o artista quem a faz. Mas justamente aqui  reside a dificuldade. Pois se as coisas estão neste pé, se na verdade a obra se faz por si mesma, não se deve concluir que não é o homem mas a obra a protagonista da arte, e que a atividade do artista é somente uma forma de obediência? (p.77)

O verdadeiro artista é aquele que encontra sempre insights em torno de si, não precisa procura-los: basta olhar em torno de si para logo ser assediado por sugestões não solicitadas. Aproveitadas pela calma potência de seu olhar, até as ocorrências do acaso se tornam sementes fecundadas. (p.80)

A lei de organização da forma age como norma dos atos que o artista realiza enquanto os realiza, e não antes. (p.82)

Fazer e inventar ao mesmo tempo o modo de fazer; considerar o resultado como critério de si mesmo; produzir a obra inventando-lhe a regra individual; fazer a invenção coincidir com a produção, a ideação com a realização, a concepção com a execução, atuar de tal modo que a obra seja ao mesmo tempo a lei e o resultado da própria formação: eis aí muitas expressões que equivalem a designar o processo formativo da arte e indicar a coincidência entre tentativa e organização no processo artístico. (p.91)

Comentário pessoal


Pareyson é claro em suas palavras, porém repetitivo. O processo artístico nada mais é que um caminho longo e repleto de tentativas que se alimentam de ideias, experiências, conteúdo teórico e imaginação inventiva. A organicidade do processo é simples, entretanto trabalhosa, e isso se transforma num trabalho pessoal de busca pela perfeição incansável e sem a preocupação com o resultado planejado, pois a busca inventiva por si só já é o resultado do trabalho.

Utilização de materialidades no processo criativo

Teóricos da filosofia, experiências reais, insights, múltiplas possibilidades, tentativas e invenção.

























































































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FICHAMENTO

O processo do formar se baseia no experimento acertado, porém não definido.

A formação da obra de arte exposta nesse texto explora o processo da produção e da forma sem definições, Pareyson vai além da teoria filosófica que procura significados e funções a partir da intuição e expressão.

A obra de arte respira e dialoga com o seu criador utilizando a linguagem livre de significados fixados a partir do seu modo de fazer. As constantes tentativas que visam driblar as regras fixadas nos objetos, apresentam o real modo de fazer que foge da situação comum e cômoda. Quando o modo de fazer recebe as condições para o seu aprofundamento, simultaneamente atingimos o fazer que conceitua o resultado final.

Pareyson também esclarece as ligações entre êxito e regra. O processo de experimentações exige um segmento de início, meio e fim, uma regra estabelecida porém que nem sempre levará ao êxito imaginado, mas que nem por isso deixará de ser um êxito, e é nesse ponto que a análise filosófica se perde por instantes pois o caminho livre se esbarra em outras referências até então não pensadas e insights movidos por experiências outras, essa é a invenção do modo de fazer com características artísticas.

O texto questiona o que pode ser considerado “sucesso” dentro desse processo de tentativas criativas. Um esboço, por exemplo, é um conjunto de ideias estabelecidas por uma estrutura adaptável a uma situação determinada esse esboço mesmo não concretizado, ainda no papel, ele supre as necessidades iniciais levando em conta um início, meio e fim para a resolução do “problema” (necessidade), logo ele atingiu o sucesso. Ele passou por todo o procedimento das tentativas.