KANTOR Lovelies and Dowdies (1974) DEMENTIA 2008


FONTE: YouTube

Luigi Pareyson



Referências
bibliográficas

PAREYSON, Luigi. Estética – Teoria da Formatividade. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. – Petrópolis – RJ: Vozes, 1993

Breve resumo

O texto apresentado faz parte do terceiro e último momento da coleção que aborda a estética. Nas páginas analisadas, é possível caracterizar o livro como uma espécie de manual sobre como se dá o processo de criação com e sem os resultados planejados, porém sempre seguindo um mesmo procedimento de tentativas que por si só pode ser classificado como sendo um resultado de êxito por ter seu início a partir de uma necessidade desenvolvida através de insights e experiências vividas e estudadas que conduziram a um resultado artístico.
Em 20 subtemas, Pareyson organiza sua linha de pensamento tendo o “inventar” como palavra-chave que move todo o processo criativo que por vez “confunde” algumas análises filosóficas que exploram a teoria das tentativas do fazer artístico, este que por sua vez é um processo técnico e criativo ao mesmo tempo.

Transcrições de citações mais importantes


Formar, então, significa “fazer” e “saber fazer” ao mesmo tempo: fazer inventando ao mesmo tempo o modo em que no caso particular aquilo que se deve fazer se deixa fazer. Formar significa “conseguir fazer”, noutras palavras, fazer de tal modo que sem se apelar a regras técnicas predispostas ou pré-disponíveis se pode e deve afirmar que aquilo que se fez foi feito como deveria ser feito. (p.60)

E certamente este destino do homem, de não poder atuar a não ser procedendo por tentativas, é sinal de sua miséria e grandeza ao mesmo tempo: o homem não encontra sem procurar. (p.61)

Pois a formatividade, no próprio ato em que se especifica, e precisamente para poder se especificar, livremente se outorga a si mesmo a própria lei dizendo-se lei para si mesmo. Já se viu que a formatividade se torna arte quando, não tendo nada de espefico a formar, adota uma matéria, pois esta, uma vez formada, é forma e só forma. (p.66)

Na arte, o modo como se deve fazer a obra é apenas o único modo em que ela mesma, que tem que ser inventada e ao mesmo tempo feita, se deixa fazer. Nas outras operações ao menos uma coisa não tem que ser inventada, e é a ratificação das possibilidades inventadas por parte de certas leis. Na arte, quando se trata da obra, tudo tem que ser inventado e, sobretudo, aquilo que institui a sua regra como tal, i. é, a adequação da obra consigo mesma. (p.67)

Mas se é verdade que a execução é uma aventura, nem por isso se pode dizer que se baste a si mesma, não tenha guia nem critério, confiada à própria peripécia e condenada a se alimentar do acaso. (p.71)

A obra se faz por si e no entanto é o artista quem a faz. Mas justamente aqui  reside a dificuldade. Pois se as coisas estão neste pé, se na verdade a obra se faz por si mesma, não se deve concluir que não é o homem mas a obra a protagonista da arte, e que a atividade do artista é somente uma forma de obediência? (p.77)

O verdadeiro artista é aquele que encontra sempre insights em torno de si, não precisa procura-los: basta olhar em torno de si para logo ser assediado por sugestões não solicitadas. Aproveitadas pela calma potência de seu olhar, até as ocorrências do acaso se tornam sementes fecundadas. (p.80)

A lei de organização da forma age como norma dos atos que o artista realiza enquanto os realiza, e não antes. (p.82)

Fazer e inventar ao mesmo tempo o modo de fazer; considerar o resultado como critério de si mesmo; produzir a obra inventando-lhe a regra individual; fazer a invenção coincidir com a produção, a ideação com a realização, a concepção com a execução, atuar de tal modo que a obra seja ao mesmo tempo a lei e o resultado da própria formação: eis aí muitas expressões que equivalem a designar o processo formativo da arte e indicar a coincidência entre tentativa e organização no processo artístico. (p.91)

Comentário pessoal


Pareyson é claro em suas palavras, porém repetitivo. O processo artístico nada mais é que um caminho longo e repleto de tentativas que se alimentam de ideias, experiências, conteúdo teórico e imaginação inventiva. A organicidade do processo é simples, entretanto trabalhosa, e isso se transforma num trabalho pessoal de busca pela perfeição incansável e sem a preocupação com o resultado planejado, pois a busca inventiva por si só já é o resultado do trabalho.

Utilização de materialidades no processo criativo

Teóricos da filosofia, experiências reais, insights, múltiplas possibilidades, tentativas e invenção.

























































































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FICHAMENTO

O processo do formar se baseia no experimento acertado, porém não definido.

A formação da obra de arte exposta nesse texto explora o processo da produção e da forma sem definições, Pareyson vai além da teoria filosófica que procura significados e funções a partir da intuição e expressão.

A obra de arte respira e dialoga com o seu criador utilizando a linguagem livre de significados fixados a partir do seu modo de fazer. As constantes tentativas que visam driblar as regras fixadas nos objetos, apresentam o real modo de fazer que foge da situação comum e cômoda. Quando o modo de fazer recebe as condições para o seu aprofundamento, simultaneamente atingimos o fazer que conceitua o resultado final.

Pareyson também esclarece as ligações entre êxito e regra. O processo de experimentações exige um segmento de início, meio e fim, uma regra estabelecida porém que nem sempre levará ao êxito imaginado, mas que nem por isso deixará de ser um êxito, e é nesse ponto que a análise filosófica se perde por instantes pois o caminho livre se esbarra em outras referências até então não pensadas e insights movidos por experiências outras, essa é a invenção do modo de fazer com características artísticas.

O texto questiona o que pode ser considerado “sucesso” dentro desse processo de tentativas criativas. Um esboço, por exemplo, é um conjunto de ideias estabelecidas por uma estrutura adaptável a uma situação determinada esse esboço mesmo não concretizado, ainda no papel, ele supre as necessidades iniciais levando em conta um início, meio e fim para a resolução do “problema” (necessidade), logo ele atingiu o sucesso. Ele passou por todo o procedimento das tentativas.

Tadeusz Kantor



Referências
bibliográficas

KANTOR, Tadeusz. O Teatro da Morte. Textos organizados e apresentados por Denis Bablet. – São Paulo: Perspectiva: Edições SESC SP, 2008. – (Estudos; 262 / dirigida por J. Guinsburg).

Breve resumo

O livro aborda o processo criativo de Kantor que se resume em quatro palavras: a cena, o espaço, o objeto e a repetição. Apaixonado pela arte e embelezado pelas manifestações da vida, Kantor criou o teatro experimental que leva a construção cênica até o limite da tensão, ele utiliza o texto como uma pá que cava até o ponto mais escuro e isolado da ilusão sem superficialidades e com o auxílio da cenografia para a construção desse universo sombrio e casado com a realidade com a apropriação total dos fenômenos e objetos mais expressivos e comuns.
O teatro experimental é a apreciação da preparação do processo que libera a cena a partir de partituras pesadas, inusitadas e ilusórias.


Transcrições de citações mais importantes


Entretanto em meio a todas essas peripécias existia sempre aparentemente uma distância natural e evidente entre o objeto, a realidade e a imagem, esse terreno reservado ao próprio ato e ao cerimonial da criação. (parag.3; página 102)

A gorda analfabeta grita, soletra, conta e passa, muito vapor muito calor, os soldados marcham todo o tempo, notícias radiofônicas ininterruptas e monótonas, a moça nua já está quase toda coberta de bandagens brancas, alguém bate no interior das caixas, o velho ainda está parafusando as últimas caixas, a privada de pooorcelana eeemmmite um riso suave, os carvoeiros quase nus carregam seus sacos nas coas (...) (pág.120)

Agora, o público é lançado contra a parede amontoado maltratado pela carta. A fita de gravador transmite o monólogo do destinatário desconhecido da carta que sem parar se torna cada vez mais monstruosa, diante da qual continuamente passo a passo se cede até o aniquilamento total. (pág. 124)

O ator não representa nenhum papel, não cria nenhuma personagem,   nnnem a imita, ele permanece antes de tudo ele mesmo, um ator carregado de toda essa fascinante bagagem de suas predisposições e de suas destinações. (pág. 136)

O ator-artista tem sido desarmado, domesticado. Sua capacidade de resistência, tão importante para sssi mesmo como para o papel que ele tem na sociedade, foi quebrada, o que leva a obedecer a todas as convenções e às leis que regem o bem-estar na sociedade de produção e de consumo, a parder sua independência que somente lhe permite, situando-o fora da comunidade, agir sobre ela. (pág. 137)
Comentário pessoal


O texto fala do artista desprovido do compromisso plástico do teatro, que inova no fazer criativo e o cultiva com a amplidão das possibilidades dos objetos disponíveis ao redor.
Dentro da sua formação de artes plásticas e cenografia, Kantor se apropria do processo de construção de uma obra (expositiva ou encenada) como sendo ela a própria obra, deixando visível todas as suas “amarrações” e “adequações” dentro de uma estética visual voltada para o teatro com todas as suas tensões.
Para Kantor, a obra de arte deve possuir uma intimidade clara com a realidade, ela deve ser constituída de objetos cotidianos reinterpretados, reestruturados, é como se ele desse uma nova finalidade para elementos comuns do dia a dia.


Utilização de materialidades no processo criativo

Dentre eles destaco: partituras tensas e ricas nos detalhes e sugestões de acontecimentos como um relato tendo sua escrita jornalística. Quantos aos elementos concretos, destaco fitas, paredes pretas, gosma vermelha e sebo, sons e caixas.








































































FICHAMENTO

Certamente que o momento político e social da época agiu agressivamente em todos os processos criativos de Kantor, é bastante perceptível a tensão descrita nas partituras, observada nos elementos cênicos e paredes quase sempre escuras e vazias, nos atores-artistas com seus movimentos cuidadosamente sentidos com cada pedaço do corpo nú ou vestido, e principalmente nos sons sempre presentes como elemento fundamental inclusive na sua quase ausência.

Kantor tanto no Teatro-Happening quanto no Teatro Independente, focados nesse texto propõe ao ator a renúncia das convenções, a liberdade é totalmente explorada dentro do que há de mais tenebroso na mente, nos sonhos, nos medos... As escolhas nas encenações são induzidas pelos estranhamentos, pelos absurdos, pelas “impossibilidades” concedidas pelas partituras.

Kantor La classe morta parte 1 on THEATRO TV

FONTE: YouTube

Ingrid Dormien Koudela


A encenação contemporânea como prática pedagógica - Ingrid Dormien Koudela

Referências
bibliográficas

KOUDELA, Ingrid Dormien. “A encenação contemporânea como prática pedagógica”. In: Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas. Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Teatro. Vol.1, (Dez 2008). Florianópolis: UDESC/CEART. Anual. ISSN: 1414-5731.

Breve resumo
            O conceito de encenação global aqui apresentado refere-se ao processo criativo que leva o uso da imagem como pré-texto para a performance, nesse caso, Koudela destaca o “modelo de ação” como objeto de estudo na construção desse texto que sofre uma imensa influência das teorias, crítica e pensamento de Brecht e seu teatro épico.

            A prática pedagógica é conduzida no texto pelo discurso sobre o desejo do ator de querer estar vivo em cena com atitudes inusitadas de um corpo que reage a todos os acontecimentos, ou não, este desenvolvimento é o modelo para uma ação dramática que terá desfechos inusitados mesmo sendo aplicados repetidas vezes numa mesma turma de alunos/atores. O aluno/ator aqui constrói sua linha de raciocínio lógico e criativo, teórico e prático a partir de experimentações utilizando memórias e elementos pessoais. As atitudes experimentais ilustram esse fazer teatral que é previsível nos seus resultados, porém não nas suas formas.

            O teatro épico se faz de alimento para a construção e realização da encenação dramática sugerida no texto de Koudela que busca a síntese de cada ator se fundindo com elementos cênicos como iluminação, sons, cenário e silêncio para completar o projeto com impacto.

Transcrições de citações mais importantes










Comentário pessoal










Utilização de materialidades no processo criativo

































































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FICHAMENTO

            A estrutura dramática tem como base o imprevisível, esse elemento conduz toda a narrativa, a ação é realizada através do “susto” com imagens apresentadas expontaneamente e que representam a sociedade, o ambiente e suas relações. Como numa ilustração ou fotografia, um universo pronto que envolve um determinado tema em especial é apresentado como palavra-chave que deve instigar o início para a encenação, conforme os atores vão reagindo, essa mesma imagem vai se ampliando e se desconfigurando, todos os seus elementos gráficos vão sendo destrinchados, a leitura se aprofunda, ganha descrição detalhada e densa. Nesse jogo, Ingrid Koudela descreve um experimento realizado com o uso da imagem “Grandibus exigui sunt pisces piscibus esca”, desenho de 1557 feito pelo artista Peter Brüeghel. A autora se mostra satisfeita com tal escolha pois Brüeghel pois tal desenhista era também um ator intérprete, um copista que ilustrava a sociedade que vivia e que traduzia em forma de desenhos e pinturas exercitadas ao lado do pai que também era pintor. Brüeghel, assim como Brecht, esmiuçavam a sociedade, exercitavam o questionar ao redor dos assuntos mais comuns e inusitados, criavam perguntas que provocavam incômodos com o propósito deles próprios investigarem as respostas interagindo com o universo imaginário, tais pesquisas resultavam no fazer criativo. Nessa pesquisa, a autora deixa claro que tais estímulos criativos podem ser diversos (textos teóricos, assim como letras de músicas, poesias, pequenos objetos ímpares), todos eles podem ser utilizados como elementos para os jogadores/atores pois tudo isso remeterá às mesmas perguntas, sempre instigadas pelo professor/diretor: O que vocês estão vendo? Onde? Aqui? Mais acima? E aqui?... É importante salientar que tal jogo deve ser iniciado com a observação silenciosa e particular da imagem, texto, objeto... O seu conteúdo pessoal será de grande valor para a interpretação e construção do texto cênico individual e coletivo.

Jonothan Neelands


Structuring Drama Work – A handbook of available forms in theatre and drama .
PART 1: A Guide to Dramatic Conventions

Referências
bibliográficas

NEELANDS, Jonothan. “Structuring Drama Work – A handbook of available forms in theatre and drama.” Cambridge University Press 1990. ISBN 0 521 37635 1

Breve resumo
A dramatização é antes de tudo uma atividade e necessidade física e emocional que corresponde num autoconhecimento alimentado pela intimidade do sujeito com a técnica cênica e suas possibilidades corporais de limites, força e criatividade. As enunciações de qualidade que caracterizam a arte dramática e suas convenções sugerem que o caminho do trabalho seja percorrido através de insights que permitem ao corpo e à mente a autonomia primordial para as manifestações ritualísticas de interação social utilizando de recursos cênicos e dramáticos.

Transcrições de citações mais importantes

Na primeira parte do livro, o autor inicia sua abordagem sugerindo um guia para as convenções dramáticas e propõe uma classificação e critério de seleção partindo do contexto da ação, caminhando pela narrativa, poética e finalizando nas suas reflexões diante da ação física e emocional

Para a contextualização da ação, Neelands define tópicos a fim de organizar melhor a linha de raciocínio do ator que deve pensar e interagir com o espaço cênico e seus jogos de acordo com a interação de si com os objetos dispostos no ambiente intencionalmente ou não, incluindo o próprio texto dramático que não tem por função exclusiva, dá início ao processo narrativo.

Importante salientar o cuidado que o autor tem de mostrar para o jogador/ator a necessidade das influências atuais, como as redes de conhecimentos ligados à tecnologia, estas que devem se fazer presentes nessa narrativa que ilustra a cultura atual. Neelands aposta nos elementos da modernidade para construir sua narrativa espontânea e criativa, tais como: jornais, mensagens, diários, frases, trechos de poesias, escritas soltas dispostas como palavras-chave dentre outros pois, segundo o autor, todos esses elementos formam uma teia de conhecimentos que estimulam a imagem criativa da cena, são instrumentos, materiais que costuram as intenções dramáticas dentro da narrativa.


Comentário pessoal

O guia é de fácil compreensão, embora esteja em outro idioma, pois aborda todo o assunto de forma clara e objetiva a partir de tópicos bem detalhados e que tem sua abordagem relacionada ao tópico anterior, mantendo sempre um único foco para o entendimento do leitor diante de um guia/mapa.


Utilização de materialidades no processo criativo

Para a construção dos jogos, ele propõe o uso de jogos de computadores, jornais, revistas, artigos, jogos educacionais, filmes, músicas, programas de televisão, situações inusitadas apropriadas das ruas.




















































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FICHAMENTO
As convenções dramáticas comentadas pelo autor sugerem um “retalhamento” da arte do drama como um todo, suas teorias e principalmente práticas.
O autor aborda a interação ator/público a fim de canalizar a sua intensão dramática para a convenção de uma intervenção social, em síntese, há uma troca sem obrigações e sem a utilização de elementos técnicos de luz e som.

Na primeira parte do livro, o autor avalia o espaço disposto e propõe intervenções que tenham sua dramaticidade extraída das paredes e chão do espaço. Ele se apropria da energia do ambiente para estimular seu corpo a criar através de insights. Com o ambiente cênico criado, ele define os jogos através de objetos que estimulam os alunos e provocam diferentes reações, o inusitado percorre todo o processo criativo.

NEELANDS, Jonotha


Structuring Drama Work – A handbook of available forms in theatre and drama
 PART 2: Structuring Drama for Learning Opportunities


Referências
bibliográficas

NEELANDS, Jonothan. “Structuring Drama Work – A handbook of available forms in theatre and drama.” Cambridge University Press 1990. ISBN 0 521 37635 1

Breve resumo
As convenções propostas nessa segunda parte resumem a importância de se detalhar todo o processo do jogo teatral. O fazer criativo requer uma estruturação que possibilitará num resultado previsível e satisfatório. O fazer teatral assume um processo criativo de características técnicas quanto aos seus elementos e seus manuseios. A linguagem utilizada no teatro deve sempre ter seu uso guiado pela experiência do ator com o espaço, o tempo e a sociedade que o engloba.

Nesse segundo momento, o livro aborda o aprofundamento do processo educacional do teatro no contexto psicológico das ações previstas e espontâneas que tem sua narrativa partindo de um ponto qualquer, um estímulo concreto que remete às lembranças e provocam insights, estes que por sua vez criam imagens-chave que ilustram um novo cenário, o ambiente que agora se faz presente nesse espaço que não é mais real, é um espaço imaginário teatral. Dentro desse imaginário, é exercitado a desfragmentação do mesmo, ou concentração para a sua estruturação técnica, social e emocional.

Esse é um modelo do processo que todo ator deve seguir para facilitar sua disposição diante de uma ação dramática participada enquanto jogador da cena e plateia.

O jogador é antes de tudo um capturador de imagens, tudo deve ser absorvido para uma memória, uma biblioteca de dados criativos, um arquivo de estímulos intelectual e emocional que formará uma rede de conhecimentos, um mapa que ligará os pontos dispostos nos jogos para o foco de uma ação dramática, uma narrativa única e previsível exercitada pelo uso das convenções de estruturação do drama.

Transcrições de citações mais importantes

Ao exercitar a ativação da memória diante do jogo da ação sendo imaginada, é importante relatar o cuidado que se deve ter com a canalização das habilidades pessoais de cada participante.

Cada história, ou objeto que assumiu a função de estímulo, utilizado como impulso criativo, deve passar por essa estruturação técnica, esse processo psicológico de decupagem da ação imaginada antes do mesmo ser proposto, em definitivo, como ação teatral para o público.

Comentário pessoal

Nessa segunda parte, a estruturação ganha um foco curioso com a esquematização das convenções dramáticas em forma de tabela, sendo cada elemento técnico ligado um ao outro seguindo um único sentido crescente de raciocínio fundamental no processo de arte-educação.

Utilização de materialidades no processo criativo


Aqui, são utilizados elementos primários e secundários: textos, histórias, memórias, jogos de computador, jogos educacionais, jornais, musicas e outros sons, imagens de obras de arte e fotografias.


























































FICHAMENTO

A identificação de cada ponto proposto no processo de decupagem das convenções teatrais desse segundo capítulo, esclarece com maior cuidado, a importância da técnica de absorção do conhecimento da narrativa teórica e prática do drama através do exercício de se realizar essa estruturação ainda no início da atividade.

Cada estímulo sugerido para uma ação teatral, mostra uma oportunidade de atmosfera múltipla, essa conveniência de ambientação estabiliza o ator dentro de seu arquivo de conhecimentos, estímulos subsequentes que deverão ser analisados e fundidos aos estímulos primários.

MATÉRIA: Tadeusz Kantor


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John William Somers



Referências
bibliográficas

SOMERS, John William. M & AIA/ Music & Art in Action - Interactive theatre: Drama as social intervention. Volume 1. Department of Drama – University of Exeter, UK. Issue 1 – June 2008

Breve resumo

Este texto resume as experiências vividas e analisadas por Somers em suas viagens realizando workshops sobre o drama como forma de expressão numa sociedade.

A expressão dramática por muitos anos carregou o “peso” de ter que levar a mudança, entretanto Somers lembra que cabe ao caráter artístico da intervenção dramática com suas narrativas reais a mudança com qualidade pedagógica, entretanto, mantendo a clareza de que esta não é a única mudança possível numa sociedade que trabalha o drama com teatro.

O drama work é um meio de teatro personalizado que aproxima elementos do teatro à experiências que incomodam pontos fundamentais de uma sociedade, como: aspectos políticos, prisões, traumas...

Transcrições de citações mais importantes


3. That by entering the fictional world created in the drama, we may gain greater understanding of our own, personal narrative. This is a major source of the claims that attitudes and behaviours can be changed; 4. By knowing that the dramatic experience is not real we can release ourselves safely into it. We are 'in' it enough to care about it, but 'out' of it enough not to fear it and to be able to recognise its distance from reality. (p.63)
 3. Que no mundo imaginário criado no drama, nós podemos ganhar maior compreensão do nossos próprios dramas, narrativa pessoal. Esta é uma fonte principal que reivindica as atitudes e os comportamentos que podem ser mudados; 4. Sabendo que a experiência dramática não é real, nós podemos nos libertar com segurança nela.

Story acts as a placenta that connects our inner world to the world outside, the medium through which our thoughts, feelings and knowledge of the outer and the inner pass. (p.63)  A história atua como uma placenta que liga nosso mundo interno à parte externa do mesmo, o meio com que nossos pensamentos, sentimentos e conhecimento da passagem exterior e interna.

Drama’s power to change attitudes is rooted in the notion of intertextuality, the dynamic relationship and intertwining of stories, in this case the interpenetration of the performed story with the story which forms the personal identity of the individual. (p.65) O poder do drama em mudar atitudes é enraizado na noção da intertextualidade, no relacionamento dinâmico e no entrelaçamento das histórias, neste caso a interpenetração da história executada com a história que dá forma à identidade pessoal do individual.

The successful drama experience is implicitly therapeutic. Applied Drama participants understand the dramatic experience through reference to their memory/personal story but, more importantly, the drama experience also enables them to recategorise their memories(…) (P.66) A experiência bem sucedida do drama é basicamente terapêutica. O drama aplicado aos participantes compreendem a experiência dramática com a referência às suas memórias/histórias pessoais, porém, mais importante, a experiência do drama igualmente permitem aos mesmo aorganização de suas memórias.
Comentário pessoal


Somers foca sua pesquisa no psicológico, ele se apropria do que há de mais interno nos participantes de seus experimentos como sendo eles as vigas para a construção de uma arte que acolhe narrativas reais e criativas, ele apresenta o caminho para a mudança através da compreensão e aceitação daquele problema social e particular.

É através da busca pelo que há de mais íntimo no indivíduo, que ele cria a personalidade e esclarece a própria história. A ferramenta da narrativa se apresenta como teoria da arte e se mistura com a narrativa real e incômoda que se faz presente como possibilidade de mudança.

Utilização de materialidades no processo criativo


Narrativas de histórias criativas experimentadas em povos mais distantes da sociedade, logo, mais prováveis em acreditar que experimentaram tais narrativas como sendo real.

Utilização de experiências reais e íntimas na construção da narrativa dramática.




F















































































FICHAMENTO

A pesquisa de Somers, ora é tratada como arte, ora como terapia, tratamento de traumas e relações humanas dificultadas por problemas individuais e grupais.

As palavras-chave que melhor resumem o texto são: teoria narrativa, introspecção, dramatização, busca pessoal, transformação, compreensão e criatividade.

A arte aqui é coadjuvante, seu caráter é ultrapassado pelo experimentar, o fogo é descobrir a ligação entre o passado e o presente para poder entender e aceitar o mesmo a fim de mudar o futuro próximo. Assim como um fio, em uma extremidade estão as emoções mais internas e frágeis e na outra extremidade está a realidade nua e crua experimentada dia após dia na sociedade que grita por mudanças que se adequem ao indivíduo, e vise versa.

Mudança, trabalho do psicológico, compreensão da sociedade grupal e individual, interiorização... Utilizando o princípio da organização, da compreensão da própria consciência é que se pode transformar o sujeito. O objetivo é atingir a saúde mental, que desenvolve e mantém a história.