A encenação
contemporânea como prática pedagógica - Ingrid Dormien Koudela
Referências
bibliográficas
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KOUDELA, Ingrid Dormien. “A encenação contemporânea como
prática pedagógica”. In: Urdimento –
Revista de Estudos em Artes Cênicas. Universidade do Estado de Santa
Catarina. Programa de Pós-Graduação em Teatro. Vol.1, (Dez 2008).
Florianópolis: UDESC/CEART. Anual. ISSN: 1414-5731.
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Breve resumo
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O conceito de encenação global
aqui apresentado refere-se ao processo criativo que leva o uso da imagem como
pré-texto para a performance, nesse caso, Koudela destaca o “modelo de ação”
como objeto de estudo na construção desse texto que sofre uma imensa
influência das teorias, crítica e pensamento de Brecht e seu teatro épico.
A prática pedagógica é conduzida
no texto pelo discurso sobre o desejo do ator de querer estar vivo em cena
com atitudes inusitadas de um corpo que reage a todos os acontecimentos, ou
não, este desenvolvimento é o modelo para uma ação dramática que terá
desfechos inusitados mesmo sendo aplicados repetidas vezes numa mesma turma
de alunos/atores. O aluno/ator aqui constrói sua linha de raciocínio lógico e
criativo, teórico e prático a partir de experimentações utilizando memórias e
elementos pessoais. As atitudes experimentais ilustram esse fazer teatral que
é previsível nos seus resultados, porém não nas suas formas.
O
teatro épico se faz de alimento para a construção e realização da encenação
dramática sugerida no texto de Koudela que busca a síntese de cada ator se
fundindo com elementos cênicos como iluminação, sons, cenário e silêncio para
completar o projeto com impacto.
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Transcrições de
citações mais importantes
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Comentário pessoal
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Utilização de
materialidades no processo criativo
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FICHAMENTO
A estrutura dramática tem como base
o imprevisível, esse elemento conduz toda a narrativa, a ação é realizada
através do “susto” com imagens apresentadas expontaneamente e que representam a
sociedade, o ambiente e suas relações. Como numa ilustração ou fotografia, um
universo pronto que envolve um determinado tema em especial é apresentado como
palavra-chave que deve instigar o início para a encenação, conforme os atores
vão reagindo, essa mesma imagem vai se ampliando e se desconfigurando, todos os
seus elementos gráficos vão sendo destrinchados, a leitura se aprofunda, ganha
descrição detalhada e densa. Nesse jogo, Ingrid Koudela descreve um experimento
realizado com o uso da imagem “Grandibus exigui sunt pisces piscibus esca”,
desenho de 1557 feito pelo artista Peter Brüeghel. A autora se mostra
satisfeita com tal escolha pois Brüeghel pois tal desenhista era também um ator
intérprete, um copista que ilustrava a sociedade que vivia e que traduzia em
forma de desenhos e pinturas exercitadas ao lado do pai que também era pintor.
Brüeghel, assim como Brecht, esmiuçavam a sociedade, exercitavam o questionar
ao redor dos assuntos mais comuns e inusitados, criavam perguntas que
provocavam incômodos com o propósito deles próprios investigarem as respostas
interagindo com o universo imaginário, tais pesquisas resultavam no fazer
criativo. Nessa pesquisa, a autora deixa claro que tais estímulos criativos podem
ser diversos (textos teóricos, assim como letras de músicas, poesias, pequenos
objetos ímpares), todos eles podem ser utilizados como elementos para os
jogadores/atores pois tudo isso remeterá às mesmas perguntas, sempre instigadas
pelo professor/diretor: O que vocês estão vendo? Onde? Aqui? Mais acima? E
aqui?... É importante salientar que tal jogo deve ser iniciado com a observação
silenciosa e particular da imagem, texto, objeto... O seu conteúdo pessoal será
de grande valor para a interpretação e construção do texto cênico individual e
coletivo.